Discutindo com ateus, aprendi a admitir o que muitos cristãos evitam: existem bons argumentos dos dois lados, e o mais forte contra Deus é o problema do mal. O cristão olha o sofrimento e confia que ele terá sentido, nesta vida ou em outra. O ateu olha o mesmo sofrimento e conclui que ele é incompatível com um Deus bom.
Mas talvez o ateu que sente na alma a injustiça do mundo não esteja fugindo do propósito de Deus. Talvez esteja dentro dele. A compaixão por quem sofre pode ser exatamente aquilo que este mundo difícil foi feito para despertar.
Ninguém conhece o valor da justiça sem ter visto a injustiça, nem o valor de uma noite quente de verão sem ter esperado por longas noites de inverno.
Se a ideia te chamou, é só escolher o ritmo.
Passei bastante tempo discutindo com ateus sobre a existência de Deus, e a primeira coisa que aprendi, como cristão, foi algo que muitos de nós preferiríamos não admitir: existem bons argumentos dos dois lados. Entre os que pesam contra, um costuma ser apontado como o mais forte de todos. Se existe um Deus bom e poderoso, por que o mundo sofre tanto?
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O cristão olha o sofrimento e confia que ele terá alguma resolução, nesta vida ou em outra. E é bom ser franco: o cristianismo aposta mais na outra vida do que nesta. O ateu olha o mesmo sofrimento e vê nele uma evidência de que um Deus bom talvez não exista. Prefere encerrar a questão ali, e a promessa de um pós-vida lhe parece conveniente demais para ser levada a sério.
Nos meus livros, mostro o que existe: casos documentados, estudos científicos e razões para pensar que a consciência sobreviva ao corpo. E paro aí, porque a conclusão precisa sair de quem lê. Mas eu tenho as minhas, e uma delas nasceu dessas conversas.
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Pense no ateu que realmente sente a injustiça do mundo, que não consegue ver um inocente punido e seguir em frente. Talvez esse homem não esteja fugindo do propósito de Deus. Talvez esteja dentro dele. Se o mundo foi feito difícil por algum motivo, um dos motivos possíveis é despertar compaixão. Quem diz “um Deus bom não permitiria isso” está usando contra Deus uma régua que, se Deus existe, foi Ele quem colocou ali.
Talvez a vida seja uma fase que precisamos atravessar para forjar o caráter e a própria humanidade. Ninguém conhece o valor da justiça sem ter visto o estrago da injustiça, nem o valor de uma noite quente de verão sem ter esperado por longas noites frias de inverno.
Essa ideia não explica todo sofrimento, e o texto completo diz onde ela para. Mas, quando encontro um ateu indignado com a dor do mundo, já não vejo um adversário. Vejo alguém que leva o sofrimento a sério, às vezes mais do que muitos de nós que cremos.
Essa foi a trilha curta. O caminho inteiro tem paisagens que só aparecem sem pressa.
Passei bastante tempo discutindo com ateus sobre a existência de Deus. Não foram debates de palco. Foram conversas longas, dessas que começam numa provocação e terminam horas depois sem vencedor. A primeira coisa que aprendi nelas, como cristão, foi algo que muitos de nós preferiríamos não admitir: existem bons argumentos dos dois lados.
Não digo isso por cortesia. Digo porque é verdade, e porque fingir o contrário é uma forma de desonestidade que o outro lado percebe na hora. Há argumentos sérios a favor de Deus e há argumentos sérios contra. Entre os que pesam contra, um costuma ser apontado como o mais forte de todos: o problema do mal.
A pergunta é antiga e simples. Se existe um Deus bom e poderoso, por que o mundo sofre tanto?
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É aqui que acontece a grande divisão. O cristão olha o sofrimento e entende que ele é, ou pode ser, de alguma forma necessário. Não sabe explicar o porquê, mas confia que haverá uma resolução, nesta vida ou em outra. E é bom ser franco: o cristianismo aposta mais na outra vida do que nesta.
O ateu, ou o agnóstico, olha o mesmo sofrimento e vê outra coisa. Vê nele uma evidência de que talvez a dor do mundo seja incompatível com um Deus bom. Prefere encerrar a questão ali a supor que um pós-vida feche a conta. Para ele, essa suposição tem cheiro de ingenuidade, uma promessa conveniente demais para ser levada a sério.
Os dois olham para a mesma coisa e saem com conclusões opostas.
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Nos meus livros, não tento resolver isso por ninguém. O que faço é mostrar o que existe. Mostro casos que de fato aconteceram e estudos feitos por cientistas, coisas que não exigem imaginação fértil para deixar espaço para Deus. Mostro também que, pelo que a ciência já sabe, é razoável pensar que a consciência sobreviva ao corpo.
E paro aí. A conclusão precisa sair de quem lê, pelas próprias vias. Uma conclusão que não nasce da pessoa não é uma decisão dela; é só uma opinião emprestada.
Mas eu tenho as minhas, e uma delas nasceu justamente dessas conversas.
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Acredito que haja um porquê por trás do sofrimento, mesmo daquele que não conseguimos entender de forma alguma. E foi pensando nisso que me ocorreu uma coisa sobre o ateu.
Pense no ateu que realmente sente a injustiça do mundo. Não falo do que usa o sofrimento como munição de debate. Falo do que sente na alma a dor de quem sofre. Ele não consegue ver uma criança doente, uma família destruída ou um inocente punido e simplesmente seguir em frente. Ele se revolta.
Talvez esse homem não esteja fugindo do propósito de Deus. Talvez esteja dentro dele.
Se o mundo foi feito difícil por algum motivo, um dos motivos possíveis é exatamente este: despertar compaixão. A revolta contra o sofrimento alheio é uma das expressões mais puras de empatia que existem. O ateu que diz “um Deus bom não permitiria isso” está, sem perceber, afirmando que conhece o bem e que o bem importa. Está usando contra Deus uma régua que, se Deus existe, foi Ele quem colocou ali.
Talvez falte a ele só compreender isso. E talvez essa compreensão não venha mesmo, e não por acaso.
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Se Deus existe, e se a falta de compreensão persiste há tanto tempo e para tanta gente, parece mais lógico imaginar que ela seja deliberada. Talvez não tenhamos sido feitos para entender tudo agora.
Talvez a vida seja uma espécie de prova, uma fase que precisamos atravessar para forjar o caráter, a compreensão e a própria humanidade. Ou talvez seja uma preparação. Quando nos for dada uma vida realmente boa e justa, saberemos valorizar o que tivermos diante de nós.
Afinal, ninguém conhece o valor da justiça sem ter visto com os próprios olhos o estrago que a injustiça faz. E ninguém sabe o que vale uma noite quente e agradável de verão sem ter esperado por longas noites frias de inverno.
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Preciso ser honesto sobre o limite dessa ideia, porque um cético atento vai encontrá-lo. O inverno explica o sofrimento que ensina alguma coisa a alguém. Não explica tão bem o sofrimento que não parece formar ninguém: o bebê que morre antes de entender qualquer coisa, a dor que passa sem testemunha. Para esse sofrimento, não tenho resposta pronta. Tenho só a confiança de que, se a consciência continua, a história de ninguém termina onde a vemos terminar.
Isso não fecha a conta. Mas muda o que está em jogo.
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Por isso, quando encontro um ateu indignado com o sofrimento do mundo, não vejo um adversário. Vejo alguém que leva o sofrimento a sério, às vezes mais a sério do que muitos de nós que cremos. E se eu estiver certo, essa indignação não é o fim do caminho dele. Pode ser a parte mais importante dele.