Este é o meu quadragésimo texto publicado aqui, e eu também tenho quarenta anos, uma coincidência que não significa nada. Mas aproveito o número redondo para uma confissão: há poucos dias parei os dois remédios que tomava havia quase dois anos para déficit de concentração. Fazia muito tempo que eu não sabia como eu era naturalmente.
A resposta veio em menos de dez dias. Os sintomas continuam: isso não se cura, se remedia. Mas voltou também uma coisa que eu já não sentia. Sem o achatamento emocional, a vida tem mais textura. Fica mais crua, às vezes mais cansativa. Planejando ter uma família, quero saber como viver esses primeiros momentos.
Não é um texto contra remédios. Eles me deram hábitos que pretendo levar comigo: quase cem textos escritos, a coragem de gravar vídeos, o treino de pernas, comer o suficiente. Cada fase da vida pede uma coisa diferente, e talvez agora comece um novo ciclo.
Se a ideia te chamou, é só escolher o ritmo.
Este é o meu quadragésimo texto publicado aqui. Eu também tenho quarenta anos. Não significa nada; é só uma coincidência. Mas, já que o número é redondo, aproveito para fazer uma confissão.
Por quase dois anos tomei um remédio para déficit de concentração, junto com outro para amenizar os efeitos do primeiro. Há poucos dias, por uma questão de planejamento, precisei parar um deles, e resolvi parar os dois. Fazia muito tempo que eu não sabia como eu era naturalmente.
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A resposta veio em menos de dez dias: os sintomas continuam no mesmo lugar. Isso não se cura. Se remedia. Mas voltou também uma coisa que eu já não sentia. Essa mesma cabeça solta me faz sentir mais a vida; os momentos têm mais textura. Minha principal queixa sobre o remédio sempre foi o achatamento emocional. Agora, sem ele, me sinto nu. Certos problemas me desgastam mais do que deveriam, e a vida ficou mais crua.
A pergunta já não é se o remédio funciona. Funciona, com um custo que eu diria aceitável. Estou planejando ter uma família, e quero saber como viver esses primeiros momentos: cru, do jeito que eu sou, ou com alguma coisa entre mim e o mundo?
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Esses anos me deram hábitos. Estes quarenta textos, somados aos quase sessenta do antigo projeto Harmonismo, já são quase cem. O próprio achatamento me ajudou a perder o medo do que os outros iam pensar, e assim comecei os vídeos. Na academia, finalmente criei o hábito de treinar pernas, e se tem uma recomendação que eu faço sem hesitar, é esta. Veio também o hábito de comer o suficiente. Tudo isso eu pretendo levar comigo.
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Que ninguém leia isto como um “não tome remédios”. Na faculdade, com horas de aulas seguidas, o remédio ajudou muito. No trabalho, há uma década, com outra categoria de medicamento, ele foi dispensável e custava mais do que dava. Cada fase pede uma coisa diferente. A vida é feita de ciclos, e talvez agora comece um novo.
Que Deus me proteja, e que meu anjo da guarda fique por perto. Vou precisar dele agora.
Essa foi a trilha curta. O caminho inteiro tem paisagens que só aparecem sem pressa.
Este é o meu quadragésimo texto publicado aqui. Eu também tenho quarenta anos. Antes que alguém veja nisso um sinal, deixo claro: não significa nada. É só uma coincidência, e coincidências fazem parte do mundo tanto quanto o resto. Mas, já que o número é redondo, aproveito para fazer uma confissão.
Por quase dois anos tomei um remédio para déficit de concentração. Hesitei muito antes de começar; foram anos adiando a decisão. Junto com ele, tomava outro, para amenizar os efeitos do primeiro. Há poucos dias, por uma questão de planejamento, precisei parar um deles. Resolvi parar os dois.
Eu tinha também outro motivo. Fazia muito tempo que eu não sabia como eu era naturalmente. Queria saber se os sintomas ainda estavam ali ou se, com os anos, tinham ido embora sozinhos.
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A resposta veio rápido. Não faz nem dez dias e ela já está clara: não foram embora. A cabeça mais solta, mais viajada, a atenção que escapa, tudo continua no mesmo lugar. Isso não se cura. Se remedia.
Mas, junto com isso, voltou uma coisa que eu já não sentia fazia tempo. Essa mesma cabeça solta me faz sentir mais a vida. Não sei dizer se aprecio mais os momentos; sei que eles têm mais textura. Minha principal queixa sobre o remédio sempre foi o que chamam de achatamento emocional. Não era total. No começo eu notava que estava diferente, depois fui me acostumando, até não perceber mais. Agora, sem ele, me sinto nu.
O achatamento tem dois lados. Muitas vezes ele parece bom. Sem ele, certos problemas me desgastam mais do que deveriam, e coisas pequenas custam mais emocionalmente. A vida ficou mais crua. Pretendo ficar assim por um tempo e observar.
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A pergunta de agora já não é se o remédio funciona. Esses dois anos responderam isso: funciona, com um custo que eu diria aceitável. A pergunta é outra. Estou planejando ter uma família, e comecei a me perguntar como quero viver esses primeiros momentos. Cru, do jeito que eu sou, ou com alguma coisa entre mim e o mundo?
Vou testar. E, olhando para trás, reconheço o que esses anos me deram.
A maior conquista foi um hábito. Estes quarenta textos são uma vitória. Poucos projetos na minha vida tiveram tanto foco e tanta continuidade. E não são só eles: somando o antigo projeto Harmonismo, há quase sessenta textos guardados em outras pastas, que talvez um dia apareçam por aqui. São quase cem textos. Quando algo chega a esse ponto, deixa de ser esforço e vira hábito. O caminho está feito. Agora é manter.
Curiosamente, o próprio achatamento me ajudou em outra frente. Há muito tempo eu queria gravar vídeos e não tinha coragem, por medo do que os outros iam pensar. Com as emoções mais baixas, esse medo pesou menos, e eu comecei.
O mesmo aconteceu na academia. Fiz musculação a vida inteira, mas sempre negligenciei as pernas. Quem treina sabe que o difícil é o começo, até o hábito se formar. Nesse período, mesmo com um dos remédios baixando um pouco minha testosterona livre, consegui criar esse hábito. Minha disposição e minha qualidade de vida melhoraram muito. Se tem uma recomendação que eu faço sem hesitar, é esta: treine, e treine pernas. O começo é duro. Depois que vira hábito, você não quer mais voltar.
Veio também o hábito de comer menos, de comer o suficiente. Todos esses hábitos eu pretendo levar comigo.
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Que ninguém leia este texto como um “não tome remédios”. Muito do que conquistei, conquistei tomando. Mas cada fase da vida pede uma coisa diferente.
Na faculdade, o remédio ajudou muito. Ali eu precisava ficar três, quatro horas por dia prestando atenção em aulas seguidas, e ele me dava esse foco. Os efeitos colaterais eram toleráveis, porque ninguém tira ponto da sua prova por você parecer um pouco esquisito.
No trabalho, há uma década, com outra categoria de medicamento, a conta foi outra. Cliente deixa de confiar em você quando você parece um pouco esquisito. E o trabalho, mais automático, não exigia aquela atenção contínua das aulas. Ali o remédio foi dispensável, e custava mais do que dava.
É difícil falar de remédios sem virar pregador, e eu não quero fazer teologia disso. O que eu sei é que a vida é feita de ciclos. Talvez agora comece um novo. Há muita coisa para plantar daqui em diante, sem esquecer de colher o que plantei no ciclo passado, que os remédios me ajudaram a cultivar.
Que Deus me proteja, e que meu anjo da guarda fique por perto. Vou precisar dele agora, que pretendo seguir um tempo sem os meus remédios.